Enfim, o julgamento do Mensalão.
Dia 22 de agosto de 2012. Me presto a ouvir, ao vivo, o
voto do revisor Ministro Lewandowski.
Certamente poucos da Nação estão preocupados com o
desenrolar do processo.
Impressiona que o julgamento não tenha tanta repercussão,
infelizmente. Bisbilhoto manifestações nos sites sobre o caso e perplexa vejo
que algumas pessoas, se julgadores fosse, livrariam todos os réus de culpa.
Alguns justificando que o maior dos “ladrões” não está no rol dos culpados,
leia-se Lula.
Isso sim é “pessoalizar” o crime. Faz parecer, dito isso, que
não é correto punir os demais. Crime seria dizer que os outros não merecem
punição.
Outros dizem, ainda, que não envolvia dinheiro público. Esses
talvez não tenham prestado atenção ou mesmo se interessado em saber exatamente
o que contém as acusações que resultaram no processo.
De vez em quando eu ouvia os mais velhos repetirem um dito
popular que “a ocasião faz o ladrão”. É um dito sempre atual.
O Governo estabelecido na época em que nasceu o Mensalão, era
quase um marinheiro de primeira viagem, empolgado, encantado com o poder,
enfeitiçado pelo canto da sereia.
De repente se deu conta que precisava administrar uma espécie
de ser vivo e dinâmico, e imenso.
Precisavam de sabedoria para dar seguimento à rotina, mas, também
precisavam compor o quadro a fim de poder governar.
Por óbvio que era preciso ter pessoal de confiança, mas,
também, de técnico como seria uma administração ideal.
Entretanto, como ocorre em qualquer esfera de governo, onde
intimamente ligado ao poder, as composições visam num primeiro momento, quase
que exclusivamente, o preenchimento de vagas com os seus iguais, seus
partidários, deixando de lado a ideia de que estão lidando com a coisa pública.
Portanto, tratam a coisa pública como se fosse seu “clube de campo”, onde estão
eternamente a passeio.
A política definitivamente não abriga pessoas que tem ideia
do que seja Administração Pública genuína. Mas felizmente há exceções. E eu
respeito tais exceções.
Na política não existe preocupação com o bem público, existe
preocupação primeira em acomodar os seus, os dos seus, e os amigos dos seus. Não
sejamos hipócritas.
Um parêntesis (ou parêntese, como quiser): isso me faz lembrar uma obra que li há poucos
dias e que tem ótimas passagens. Recomendo a leitura àqueles que não se rendem
ao politicamente correto sem questionar de onde ele vem. Trata-se do livro “Guia Politicamente
Incorreto da Filosofia”, de Luiz Felipe Pondé.
Voltando. Partem da premissa capenga e rasteira que podem
dispor dos recursos públicos como se fossem seus. Abarrotados de cargos de
confiança que, com acesso a recursos públicos que estão à sua disposição,
empurram para debaixo do tapete as indecentes “ações” e, junto com essas vergonhas,
as necessidades do povo.
Não há explicação para que o povo ainda permaneça
sobrevivendo, que ainda existam desvios da verba da saúde enquanto pessoas
morrem no chão, maca e corredores de hospitais ou que sejam mandadas para casa
e simplesmente aguardem a morte chegar.
Não há explicação neste planeta para, em pleno ano 2012,
ainda o povo do sertão nordestino não ter água para beber, não ter comida,
vendo morrer de sede e fome o seu magro gado, as sementes torrarem naquele
lugar deste País tão orgulhoso de seu modo de ser, tão lindo de visitar como
apregoam neste momento que prenuncia a chegada dessa inglória Copa do Mundo.
O mundo ideal não existe e não será nem o comunismo, nem o socialismo,
nem coisa nenhuma seja lá o nome que quiserem dar que vai nos salvar da
ganância do homem quando chega ao poder.
Aos patrulheiros do politicamente correto: quando digo homem leia-se
homem ou mulher.
O julgamento do Mensalão não irá, em hipótese alguma,
resolver os problemas do País, mas quero crer que será um marco importante na
nossa História.
É desse julgamento que depende nossa fé em que um mundo mais
viável é possível.
Os administradores públicos, os servidores públicos de
carreira e aqueles investidos em cargo de confiança devem entender que a “coisa
pública” não lhes pertence, não é de sua propriedade e, portanto, o respeito e
o tratamento da “coisa pública” devem ser ainda maior, ainda mais do que fossem
de sua propriedade. São meros depositários da confiança de um povo que não tem
o hábito de questionar e que são moldados pela necessidade de sobreviver, sendo
alvo fácil para os bajuladores e profetas de plantão, que oferecendo alguma
vantagem em troca do voto são criminosos de mesma ou maior intensidade do criminoso
que atenta contra a vida de alguém, pois ludibriam, encantam e seduzem o povo
com as promessas de um futuro melhor, lhes tirando a possibilidade de viver com
qualidade, com saúde.
Existe mesmo um futuro melhor, porém, esse é para poucos: está
destinado ao político desonesto e seus afins, sem compromisso com o bem estar
do povo que, conseguindo entrar naquele “clube de campo”, verão o paraíso e
dele nunca mais desejarão sair.
Nosso povo perdeu (ou nunca teve) a capacidade de pensar, e
aqueles poucos que ainda tem a capacidade de pensar e de se indignar são
rotulados de negativos, mal humorados, do contra, rancorosos, direitistas,
metidos a intelectual, rançosos, racistas, fascistas, machistas e por ai vai.
Mas o que esperar de um povo que se contenta em ver mais uma
edição do BBB e ainda gastar de telefone ligando para mandar alguém para o
paredão?
Eu não poderia deixar de perguntar onde estão os jovens ”caras
pintadas”? Ah, já sei. Agora devem estar reunidos e apoiando com as
“indignadas” meninas do Femen!!! Pelo
menos elas são as únicas que se prestam a externar sua indignação contra alguma
coisa, mesmo que elas estejam mais para pôster de oficina mecânica, mas já é um
começo.
A elas meus respeitos, mas, sem meus peitos. Prefiro
manifestar-me através das ideias.
Mas voltando ao princípio, espera-se que o julgamento do
Mensalão seja, de fato, um marco em nossas vidas e que os políticos e seus
seguidores pensem bem antes de “meter a mão” nos recursos públicos, que pensem
antes de desviar verbas públicas para seus bolsos, cuecas, meias etc.
Neste País já vimos de tudo um pouco.
Muito roubo e menos cadeia para corruptos e corruptores.
Muito funk, pagode, sertanejo e outros gêneros da moda e
menos educação e cultura.
Muita cota racial e menos educação básica de qualidade, sem
ver a quem.
Tudo neste imenso País é muito. Tudo é “ão” como o Mensalão,
mas, infelizmente, no meio desse muito tudo, o muito é, na verdade, muito menos
seriedade, humanidade e respeito.
Aguardo ansiosa que o STF ouça o grito silencioso do povo (aquele que pensa) brasileiro
e faça prevalecer a verdadeira Justiça.

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